domingo, 15 de agosto de 2010

A dança "Nyau"

Neste artigo, pretendo falar de uma dança praticada em Moçambique, assim como em alguns Países vizinhos: o "Nyau".
A história do Nyau tem referências dentro do nosso País, ainda que seja partilhada com alguns Países vizinhos como: Zâmbia e Malawi. A dança é executada por diversas etnias das zonas transfronteiriças de Moçambique, Malawi e Zâmbia. É conhecida “dança dos mistérios”.
A dança é também conhecida por gule wankulo, sendo preferida por tribos como os Chewa, Achipetas e Azimbas.
A origem do Nyau é associada, segundo o historiador Fernando Dava à formação do Estado Undi, por volta do século XVII, altura em que se supõe ter sido adoptado como uma forma de manifestação do seu poderio sobre os povos conquistados.
O termo Nyau designa igualmente o dançarino, quando já equipado com os vestes, nomeadamente as máscaras e o restante fardamento, que fartam o corpo. Por seu turno gule wankulo significa grande dança.
Uma das características desta dança é ser essencialmente masculina. Os seus passos são marcados pelo ritmo acelerado e estonteante dos tambores, enquanto as mulheres, cuja participação é historicamente recente, acompanham cantando em coro. Alguns dançarinos envergam vestes cheias de enfeites (tipras de trapos, pedaços de sacos, fibras de árvores, penas de águias ou avestruzes, formando uma mistura ardente de cores).
Outros exibem-se mascarados e com corpo nu, pintados de cinza, argila vermelha ou branca (mafuta). Nas pernas usam chocalhos, também ostentando várias cores, que contribuem para a bela sonoridade que caracteriza o Nyau.
Juntamente com a Timbila, esta dança foi declarada a 25 de Novembro de 2005, obra prima do património oral e imaterial da humanidade, fazendo com que ela não seja, a partir daí, pertença apenas dos Moçambicanos, Malawianos e Zambianos, mas de toda a humanidade.

Fonte: República de Moçambique. (2008). V Festival Nacional da Cultura. Maputo: MEC.

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